Entender o que é o Autismo
Antes de discutirmos estratégias
específicas, é importante que educadores e funcionários da escola tenham uma
compreensão básica do autismo. O autismo é um distúrbio neurológico que afeta a
maneira como uma pessoa se comunica, interage socialmente e processa
informações sensoriais. Isso pode afetar a maneira como um estudante autista
responde a estímulos no ambiente escolar e pode levar a comportamentos
desafiadores ou atrasos no desenvolvimento.
- Conheça as
necessidades individuais do aluno autista: Cada
estudante autista é único e tem necessidades diferentes. É importante que
os educadores conheçam as necessidades específicas do aluno, incluindo
suas preferências sensoriais, estilo de aprendizagem e habilidades
sociais.
- Crie um
ambiente tranquilo e organizado: Muitos alunos autistas são
sensíveis a estímulos sensoriais, como luzes brilhantes, ruídos altos e
toques inesperados. É importante criar um ambiente tranquilo e organizado
na sala de aula para ajudar a reduzir a ansiedade do aluno. Isso pode
incluir a redução de estímulos desnecessários, como sons altos e
iluminação brilhante.
- Utilize
rotinas e horários previsíveis: Alunos autistas, muitas vezes,
beneficiam se tiverem rotinas e horários previsíveis. Os educadores podem
ajudar fornecendo uma programação diária clara e consistente, que inclua
atividades e transições, como mudanças de temática / atividade e
intervalos.
- Forneça
suporte de comunicação: Alunos autistas podem ter dificuldades de
comunicação. É importante fornecer apoio de comunicação, como a
disponibilização de um cartão de comunicação ou um dispositivo de fala assistida.
Além disso, os educadores podem utilizar recursos visuais, como quadros de
avisos e calendários para ajudar a melhorar a compreensão do aluno.
- Pratique a
empatia e a compreensão: É importante lembrar que os alunos
autistas muitas vezes enfrentam desafios sociais e emocionais. Os
educadores devem ser empáticos e compreensivos, e trabalhar com os
estudantes para desenvolver suas habilidades sociais e emocionais.
- Ofereça
suporte emocional: Os alunos autistas podem ter dificuldade
em regular suas emoções e podem precisar de apoio emocional adicional na
escola. Os educadores devem estar cientes de sinais de stress ou ansiedade
e fornecer suporte emocional quando necessário. Isso pode incluir permitir
que o aluno faça uma pausa levando-o para um espaço seguro para o
estudante se acalmar ou simplesmente ouvir e validar seus sentimentos.
- Trabalhe em
estreita colaboração com os pais: Os pais são geralmente os
maiores defensores do aluno autista e têm um conhecimento profundo das
necessidades de seus filhos. Trabalhar em estreita colaboração com os pais
pode ajudar a garantir que o estudante receba o suporte necessário e que
todos estejam trabalhando juntos em direção aos mesmos objetivos.
- Ofereça
oportunidades de interação social: Embora os alunos autistas
possam ter dificuldades com interações sociais, é importante fornecer
oportunidades para que eles desenvolvam habilidades sociais e façam
amizades. Isso pode incluir atividades estruturadas, como grupos de jogos
ou atividades de grupo, ou oportunidades para trabalhar em projetos em
equipe.
Em resumo, lidar
com alunos autistas pode ser um desafio, mas com as estratégias corretas, é
possível criar um ambiente de aprendizagem positivo e inclusivo para todos os alunos.
Os educadores devem trabalhar em estreita colaboração com os pais, conhecer as
necessidades individuais do estudante para criar um ambiente propicio para o
desenvolvimento intelectual, social e emocional do aluno autista.
Como acalmar uma criança com Autismo e
comportamentos de crise
Está à procura de
dicas e ferramentas para ajudar a acalmar uma criança com autismo em
casa, na escola ou na terapia?
Ao longo do artigo
vamos tentar indicar as melhores estratégias para evitar a ocorrência de
momentos de crise, gerir a sua duração e intensidade, bem como ferramentas e
atividades para trazer crianças (e adultos) de volta a um estado tranquilo quando
grandes emoções surgem.
Na sua maioria,
senão todos os pais de crianças com 2 anos ou mais já vivenciaram uma birra do
seu filho em algum momento, mas existem diferenças entre uma birra
e um colapso/crise no autismo. Superficialmente parecem muito semelhantes,
mas enquanto as birras costumam ser comportamentos direcionados a um objetivo,
alimentados pelo público, as crises geralmente ocorrem em resposta a
sentimentos de sobrecarga e acontecem com ou sem espetadores.
As birras costumam
ser uma estratégia de manipulação usado por crianças pequenas para tentar obter
o que desejam. As crises no autismo, por outro lado, podem acontecer em
qualquer idade, são mais intensas e emocionais e costumam durar muito mais
tempo.
Um colapso normalmente
começa com sinais de alerta que são caracterizados por um acumular de emoções
que causam gritos, instabilidade, movimentos corporais repetitivos, e outros
comportamentos que indicam que a pessoa está prestes a perder o controlo e, se
não for redirecionada atempadamente, pode levar momentos de fúria extrema.
Gerir colapsos no
autismo pode ser extremamente difícil. Ao contrário das birras, as crises
não podem ser atenuadas por meio de recompensas e subornos, pois o objetivo do
colapso não é obter algo. Não há objetivo final, a não ser ter controlo sobre
uma situação de sobrecarga, e é preciso tempo para que os pais e os
cuidadores descubram como acalmar uma criança com autismo e de como evitar que
tais comportamentos ocorram.
Estratégia 1
Embora as
alterações súbitas de humor possam aparentemente surgir do nada, as crises no
autismo normalmente seguem um fluxo previsível – gatilho (momento inicial),
fúria e recuperação – e há certas estratégias que os cuidadores podem aplicar
para evitar que eles ocorram e diminuir a intensidade dos colapsos quando eles
acontecem.
Use um quadro ABC.
Primeiro deve realizar uma análise do comportamento da criança ao longo de algum tempo através de um Antecedent-Behavior-Consequence Chart – (Quadro de – antecedente, comportamento, consequência). É simples de criar e usar e pode ser muito eficaz para determinar a causa de comportamentos desafiadores. Cada vez que a criança tem uma crise, reserve alguns minutos, quando for conveniente, para anotar o ABC desse evento específico e os comportamentos que ocorreram:
- Antecedente:
os eventos que ocorreram antes da crise acontecer;
- Comportamento:
a resposta da criança ao antecedente;
- Consequência:
o que aconteceu após o comportamento para encorajar/impedir a repetição da
situação;
A ideia é
sinalizar o comportamento – neste caso, a crise – várias vezes para determinar
se há alguma consistência (padrões semelhantes) e, de seguida, formular um
plano para alterar o antecedente e/ou consequência para garantir que as crises
diminuam.
Estratégia 2
Formular um plano
de ação.
Embora possa ser
tentador evitar todas as situações que desencadeiam uma crise no
autismo, o comportamento de evitamento é uma solução de curto prazo com
repercussões a longo prazo, portanto seja cauteloso na sua aplicação repetida.
O objetivo final
dos cuidadores é ajudar as crianças a tornarem-se independentes. Assim,
quando estiver definido o que desencadeia a crise na criança, é o momento de
fazer uma pausa, reunir a família/equipa terapêutica e educativa, escrever e
encontrar estratégias de coping
(alternativas para enfrentar a situação) que a criança pode usar quando se depara com momentos que considera de sobrecarga.
Estratégia 3
Reconhecer os
sinais de alerta. A fase de gatilho de uma crise no autismo, na maioria
das vezes é tão evidente que os pais e cuidadores conseguem detetar os sinais
de alerta com antecedência. A criança pode ficar tensa ou retrair-se, ou pode
apresentar sinais mais externos, como instabilidade, movimentos corporais ou
falar baixinho.
Seja qual for o
antecessor, a intervenção antecipada é a chave para gerir as crises, então
preste atenção e aja rapidamente!
Redirecione e
distraia. Assim que for capaz de reconhecer os sinais de alerta de uma
crise iminente, redirecione e distraia a criança da melhor maneira possível
para evitar que suas emoções aumentem.
Fique calmo. Sabemos que parece uma estratégia óbvia demais, mas quando se trata de descobrir como acalmar uma criança com autismo, nunca subestime o poder das suas próprias palavras, ações e pistas não-verbais. Dê o exemplo respirando fundo, evite movimentos repentinos e fale com voz baixa para ajudar a incutir uma sensação de calma em todos.
Estratégia 4
Mude o
ambiente. Sempre que possível, retire o indivíduo da situação e leve-o
para um local tranquilo para se acalmar. Considere criar uma sala sensorial ou
um canto em casa com ferramentas calmantes à mão e mantenha sempre alguns
desses objetos no carro ou na carteira para estar preparado e pronto para
intervir quando necessário (os objetos variam de criança para criança e podem
alternar entre um simples spinner ou um trampolim. É
importante avaliar o que resulta para cada um).
Permitir
comportamentos de autoestimulação (se seguros). Embora os cuidadores
frequentemente tentem desencorajar estes comportamentos em público (movimentos
ou sons repetitivos, diferentes de criança para criança), há que entender que,
por vezes, esses comportamentos ajudam a criança a autorregular-se e não devem
ser intercetados durante uma crise, a menos que a criança ou os outros corram
riscos físicos.
Estratégia 5
Seja consistente e
siga um cronograma: uma rotina regular com consistência em todos os
aspetos tende a melhorar significativamente o desenvolvimento de uma criança
com autismo. Embora manter esse padrão diariamente seja impossível, pois
fomentar a flexibilidade também é positivo, é importante manter uma programação
previsível do dia-a-dia da criança.
Recrute a
família/equipa terapêutica e educativa para garantir um trabalho conjunto,
quando ocorrerem eventos que atrapalhem a rotina (ou seja, pandemia, viagens,
férias escolares, etc.), avise a criança com a maior antecedência possível.
Estratégia 6
Use recursos
visuais.
Criados com
imagens, ícones, palavras, etc., as programações visuais são uma representação
visual de uma sequência de eventos. A maioria das salas de aula usa um
cronograma básico que descreve as diferentes atividades das quais os alunos
irão participar ao longo do dia, mas algumas crianças beneficiam de um painel
mais detalhado do que vai acontecer exatamente num determinado momento do dia a
seguir a determinada ação.
Isso irá ajudar a
que a criança saiba o que se espera dela e capacita-a para que se possa
organizar com antecedência, permitindo-lhe manter maior controlo sobre suas
emoções.
Estratégia 7
Avise antes das
transições.
Dar avisos antes
das transições é outra ótima estratégia para prevenir as crises. E é
especialmente importante quando a criança terá de transitar de uma atividade
preferida para algo que considera menos interessante. Quando possível, o
trabalho para a aquisição de competências temporais – conhecimento do relógio,
cronómetro, dias da semana, etc. são ótimas ferramentas para usar, pois mostra
visualmente à criança a passagem do tempo. Fornecer um aviso de 10, 5 e 3
minutos também pode ajudar a tornar as transições mais fáceis.
Estratégia 8
Controlar as
sensibilidades sensoriais.
Enquanto algumas
crianças com autismo possuem características de falta de sensibilidade aos
estímulos ambientais, outras podem ser extremamente sensíveis estímulos como
ruídos, luzes fortes, temperatura, sabores e texturas, o que pode sobrecarregar
a vida quotidiana e resultar em mais crises.
No dia-a-dia da
nossa prática clínica trabalhamos lado a lado com cuidadores e educadores
criando estratégias especificas para a cada criança, incluindo dicas práticas
para ajudá-los nos desafios diários, como escovar os dentes, tomar banho e usar
a sanita. Também criamos atividades sensoriais reguladoras que podem ser
implementadas em casa para ajudar a trabalhar e diminuir a ansiedade em torno
das necessidades sensoriais individuais de cada criança.
Estratégia 9
Criar um ritual
calmante.
Quando as crianças
com autismo se sentem sobrecarregadas, pode ser difícil encontrar estratégias
para se autorregularem. E as reações emocionais que exibem nada mais são do que
uma tentativa de controlo. Quando possível, o trabalho para a aquisição de técnicas
calmantes pode ajudá-los a sentirem-se menos desamparados quando suas emoções
saem do seu controlo. Seguem-se alguns exemplos:
- Soprar
bolhas (respiração consciente): A respiração consciente é uma
estratégia calmante muito eficaz, mas pode ser difícil de ensinar a
crianças pequenas, e mesmo aqueles que têm experiência com a técnica podem
ter dificuldades em momentos de crise. Uma maneira simples de incentivar a
respiração profunda para ajudar a criança a voltar a um estado tranquilo é
soprar bolhas juntos. Isto irá forçar a criança a respirar profundamente e
naturalmente para se acalmar, e as bolhas servirão como uma fabulosa
distração secundária;
- Usar um
baloiço: Os baloiços são uma ótima maneira de incutir uma sensação de
calma em crianças que têm dificuldade em ficar sentadas quietas, ao mesmo
tempo que ajudam a melhorar a sua consciência corporal e trazê-los de
volta à tranquilidade. Muitas crianças referem-se a essas oscilações como
‘ninhos’ ou ‘casulos’, existindo geralmente um bom feedback na capacidade
de acalmar as crises. Na falta de condições para usar um baloiço bastam
duas pessoas e um lençol resistente para criar o movimento de baloiçar;
- Plasticina e massas de moldar: usadas como uma ferramenta sensorial, são algo prático para incluir no kit de calma da criança, criando uma distração rápida e calmante quando as emoções estão em sobrecarga. Amassar, moldar, alongar e criar com plasticina pode ser extremamente relaxante e calmante, e é uma opção simples e portátil.
Autismo: 14 dicas para professores adaptarem suas
aulas
https://www.autismoemdia.com.br/blog/autista-na-escola/
1. Muitos autistas pensam visualmente;
2. Evite instruções verbais muito longas;
3. Trabalhe as habilidades da criança como uma forma
de prepará-la para o futuro;
4. As mesmas habilidades podem servir para as outras
disciplinas;
5. Escrever pode ser o terror do autista na escola;
6. Alguns autistas têm ecolalia;
7. Preste atenção em como o aluno autista reage aos
sons;
8. O mesmo vale para as luzes;
9. Como ajustar a hiperatividade;
10. A recepção mono-canal;
11. Alguns autistas não são verbais;
12. Quando o ensino envolver o computador, a tela pode
fazer a diferença;
13. Até o papel pode fazer diferença para o autista na
escola;
14. Cuidado com a generalização;
Não
sabe por onde começar ou o que irá funcionar? É norma… empatia, conhecimento,
vai ajudar!
Adaptado de:
https://cermudanca.com/como-acalmar-crianca-com-autismo-e-comportamentos-de-crise/
https://colegioflamboyants.com.br/dicas-sobre-como-lidar-com-estudantes-autistas-na-escola/
https://www.autismoemdia.com.br/blog/autista-na-escola/




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