Apraxia
A apraxia é a incapacidade para realizar tarefas que
exijam recordar padrões ou sequências de movimento.
- Pessoas com apraxia não conseguem se lembrar ou
fazer a sequência de movimentos necessários para completar tarefas
complexas ou de habilidade simples, apesar de ter a capacidade física para
realizar tarefas.
- Os médicos pedem à pessoa para realizar ou imitar
tarefas comuns aprendidas, e testes de função cerebral e exames por imagem
podem ser realizados.
- Fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais podem
ajudar fazendo com que o ambiente fique mais seguro e fornecendo
dispositivos para permitir que as pessoas com apraxia se sintam melhor.
A apraxia é relativamente incomum.
Causas da apraxia
A apraxia é normalmente causada por lesão dos lóbulos
parietais ou das vias nervosas que ligam esses lobos às outras partes do
cérebro, como os lobos frontais e/ou temporais. Essas áreas armazenam memórias
de sequências de movimentos aprendidos. Menos frequentemente, a apraxia resulta
de lesão em outras áreas do cérebro.
A lesão pode resultar de um acidente
vascular cerebral, tumor
no cérebro, lesão
na cabeça ou demência.
Sinais e sintomas
da apraxia
Pacientes com apraxia não conseguem conceitualizar ou
realizar tarefas motoras complexas aprendidas apesar de terem os sistemas
motor, sensorial e de coordenação íntegros e serem capazes de realizar todos os
componentes de uma sequência de movimentos. Em geral, os pacientes não
reconhecem seus deficits.
Os tipos comuns de apraxia podem incluir
- Apraxia ideacional: os pacientes com apraxia ideacional não
conseguem perceber o propósito de uma tarefa complexa previamente
aprendida e, assim, não conseguem planejar ou executar os movimentos
voluntários necessários na sequência correta. Por exemplo, podem colocar os
sapatos antes das meias.
- Apraxia ideomotora: esse tipo de apraxia é o mais comum. Quando
solicitado a realizar tarefas motoras comuns, o paciente com apraxia
ideomotora não conseguem realizá-las. Por exemplo, não podem reproduzir
ações como dar tchau nem mostrar como utilizar um objeto (p. ex., escova
de dentes, martelo).
- Apraxia conceitual: esse tipo de apraxia é semelhante à ataxia
ideomotora, mas inclui comprometimento na capacidade de utilizar objetos
corretamente. Por exemplo, ao receber uma chave de fenda, os pacientes
podem tentar escrever com ela como se fosse uma caneta.
- Apraxia construcional: pacientes com apraxia construcional não são
capazes de desenhar, construir ou copiar um objeto, mesmo que entendam a
tarefa e tenham a capacidade física para realizá-la. Por exemplo,
pacientes podem ser incapazes de copiar uma forma geométrica simples,
apesar de conseguir ver e reconhecê-la, segurar e utilizar uma caneta e
compreender a tarefa.
Diagnóstico de
ataxia
•
Avaliação médica
•
Testes
padronizados de função cerebral
•
Exames por
imagem, como tomografia computadorizada ou ressonância magnética
Para diagnosticar a apraxia, os médicos pedem que a
pessoa faça ou imite tarefas comuns aprendidas, como o uso de uma escova de
dentes, tesouras ou uma chave de fenda. Os médicos também fazem um exame físico
para determinar se os sintomas são causados por fraqueza muscular ou um
problema muscular ou de articulação.
Os membros da família ou cuidadores são questionados
sobre o quão bem a pessoa realiza as atividades diárias, como comer com
talheres, preparar as refeições e escrever.
Podem ser realizados alguns testes padronizados de
funcionamento do cérebro (testes neuropsicológicos). Os testes
neuropsicológicos fornecem informações sobre a forma como diferentes áreas do
cérebro estão funcionando. Os médicos fazem perguntas destinadas a avaliar a
inteligência, a capacidade para resolver problemas e planejar o início de ações
(chamado de função executiva), atenção, memória, linguagem, motivação, o humor
e emoção, qualidade de vida e personalidade. Os médicos também fazem testes
simples e pedem às pessoas para fazer movimentos específicos para avaliar como
o cérebro processa o pedido (por exemplo, pedindo-lhes para acenar as mãos ou
mostrar como se utiliza um martelo).
São realizados exames de imagem, como tomografia
computadorizada (TC) ou ressonância magnética (RM) e outros testes para
determinar a causa da lesão cerebral.
Tratamento de
apraxia
•
Tratamento da
causa
•
Fisioterapia e
terapia ocupacional
O problema que causa a apraxia é tratado, se possível.
Não existe tratamento específico para apraxia.
A terapia ocupacional ou física pode ajudar em alguns
casos de apraxia, mostrando ao indivíduo como aprender a compensar as suas
perdas. Mas o principal uso dessas terapias é tornar o ambiente mais seguro e
proporcionar dispositivos que auxiliam as pessoas a executarem melhor suas
tarefas.
Fonoaudiólogos podem
ajudar as pessoas que apresentam apraxia verbal, pedindo a elas que pratiquem
fazendo padrões sonoros repetitivos. Se a apraxia verbal for grave, as pessoas
podem aprender a usar um quadro de letras ou imagens, ou um dispositivo
eletrônico de comunicação com um teclado e tela para visualização de mensagens.
Dicas:
· Induzir linguagem não verbal (tosse, suspiros,
pigarreio);
· Sussurrar melodias;
· Associar gestos simbólicos desbloqueadores ao som/
palavra (ex.: associar o gesto de “adeus” à palavra);
· Produzir o fonema /a/ com variantes e pressionando a
laringe. (Se existe articulação)
· Treinar vogais, ditongos, consoantes e sílabas
simples.(Nota – existe um método específico de treino do fonema que inclui o
apoio da palavra escrita e, numa fase final, a leitura em voz alta);
· Completar frases automáticas (ex.: “bebo água pelo
____”);
· Exercícios de discurso automático (contagem, dias da
semana, meses do ano, expressões coloquiais como “bom dia”, poemas ou papéis de
teatro, canções).
(Nota – Os exercícios devem ser realizados em frente ao espelho, tendo
o terapeuta como modelo).
Caraterísticas
Erros previsíveis (pouco variados):
•
Repertório
limitado de sons e de expressões;
•
Possibilidade do
discurso automático também estar perturbado;
•
Respostas erradas
mas próximas das pretendidas se o estímulo for adequado;
•
Maior dificuldade
em palavras maiores, desconhecidas ou sem significado e naquelas que apresentam
grupos consonânticos;
•
Menor dificuldade
na produção de vogais, ainda que mesmo a imitação de sons isolados seja
incorreta;
•
Os fonemas
consonânticos /p/, /b/, /m/, /t/, /d/ e /l/ normalmente estão menos afetados
que os restantes;
•
Mais erros de
complicação que de simplificação;
A escrita é geralmente melhor que a fala.
(Ritmo, prosódia e fluência)
•
Ritmo lento;
•
Vogais e
consoantes prolongadas;
•
Pausas no início
do discurso, falsos inícios e várias tentativas para a mesma palavra/ som;
•
Alterações da
intensidade e altura tonal entre diferentes frases;
•
Alterações de
prosódia (pronúncia semelhante à de alguém estrangeiro).
Aconselhamento
para pais e professores
•
Tratar os
sentimentos negativos e a reduzida auto-estima;
•
Dar tempo de
resposta;
•
Simplificar as
instruções;
•
Não pedir
repetição de tarefas que envolveram esforço e insucesso (aumentam a
frustração);
•
Adotar frases
simples e uma intensidade vocal normal (não existem problemas de audição);
•
Explicar aos
colegas de turma a patologia, promover a interajuda e abolir a exclusão e
discriminação;
•
Em certos tipos
de apraxia pode ensinar-se a realizar atividades de forma diferente da
habitual, já que as dificuldades de programação são limitadas a movimentos
previamente aprendidos (ex.: atar sapatos usando outro método);
Prognóstico de
apraxia
Dependendo da causa, algumas pessoas com apraxia
continuam a perder a função e se tornam dependentes, necessitando de ajuda nas
atividades diárias e alguma supervisão. No entanto, se a apraxia resultar de um
acidente vascular cerebral, as pessoas podem não continuar a perder a função e
podem até mesmo melhorar um pouco, sobretudo se fizerem reabilitação intensiva,
que inclui terapia ocupacional.
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