domingo, 20 de outubro de 2024

Apaxia


Apraxia

A apraxia é a incapacidade para realizar tarefas que exijam recordar padrões ou sequências de movimento.

  • Pessoas com apraxia não conseguem se lembrar ou fazer a sequência de movimentos necessários para completar tarefas complexas ou de habilidade simples, apesar de ter a capacidade física para realizar tarefas.
  • Os médicos pedem à pessoa para realizar ou imitar tarefas comuns aprendidas, e testes de função cerebral e exames por imagem podem ser realizados.
  • Fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais podem ajudar fazendo com que o ambiente fique mais seguro e fornecendo dispositivos para permitir que as pessoas com apraxia se sintam melhor.

A apraxia é relativamente incomum.

Causas da apraxia

A apraxia é normalmente causada por lesão dos lóbulos parietais ou das vias nervosas que ligam esses lobos às outras partes do cérebro, como os lobos frontais e/ou temporais. Essas áreas armazenam memórias de sequências de movimentos aprendidos. Menos frequentemente, a apraxia resulta de lesão em outras áreas do cérebro.

A lesão pode resultar de um acidente vascular cerebraltumor no cérebrolesão na cabeça ou demência.

Sinais e sintomas da apraxia

Pacientes com apraxia não conseguem conceitualizar ou realizar tarefas motoras complexas aprendidas apesar de terem os sistemas motor, sensorial e de coordenação íntegros e serem capazes de realizar todos os componentes de uma sequência de movimentos. Em geral, os pacientes não reconhecem seus deficits.

Os tipos comuns de apraxia podem incluir

  • Apraxia ideacional: os pacientes com apraxia ideacional não conseguem perceber o propósito de uma tarefa complexa previamente aprendida e, assim, não conseguem planejar ou executar os movimentos voluntários necessários na sequência correta. Por exemplo, podem colocar os sapatos antes das meias.
  • Apraxia ideomotora: esse tipo de apraxia é o mais comum. Quando solicitado a realizar tarefas motoras comuns, o paciente com apraxia ideomotora não conseguem realizá-las. Por exemplo, não podem reproduzir ações como dar tchau nem mostrar como utilizar um objeto (p. ex., escova de dentes, martelo).
  • Apraxia conceitual: esse tipo de apraxia é semelhante à ataxia ideomotora, mas inclui comprometimento na capacidade de utilizar objetos corretamente. Por exemplo, ao receber uma chave de fenda, os pacientes podem tentar escrever com ela como se fosse uma caneta.
  • Apraxia construcional: pacientes com apraxia construcional não são capazes de desenhar, construir ou copiar um objeto, mesmo que entendam a tarefa e tenham a capacidade física para realizá-la. Por exemplo, pacientes podem ser incapazes de copiar uma forma geométrica simples, apesar de conseguir ver e reconhecê-la, segurar e utilizar uma caneta e compreender a tarefa.

Diagnóstico de ataxia

       Avaliação médica

       Testes padronizados de função cerebral

       Exames por imagem, como tomografia computadorizada ou ressonância magnética

Para diagnosticar a apraxia, os médicos pedem que a pessoa faça ou imite tarefas comuns aprendidas, como o uso de uma escova de dentes, tesouras ou uma chave de fenda. Os médicos também fazem um exame físico para determinar se os sintomas são causados ​​por fraqueza muscular ou um problema muscular ou de articulação.

Os membros da família ou cuidadores são questionados sobre o quão bem a pessoa realiza as atividades diárias, como comer com talheres, preparar as refeições e escrever.

Podem ser realizados alguns testes padronizados de funcionamento do cérebro (testes neuropsicológicos). Os testes neuropsicológicos fornecem informações sobre a forma como diferentes áreas do cérebro estão funcionando. Os médicos fazem perguntas destinadas a avaliar a inteligência, a capacidade para resolver problemas e planejar o início de ações (chamado de função executiva), atenção, memória, linguagem, motivação, o humor e emoção, qualidade de vida e personalidade. Os médicos também fazem testes simples e pedem às pessoas para fazer movimentos específicos para avaliar como o cérebro processa o pedido (por exemplo, pedindo-lhes para acenar as mãos ou mostrar como se utiliza um martelo).

São realizados exames de imagem, como tomografia computadorizada (TC) ou ressonância magnética (RM) e outros testes para determinar a causa da lesão cerebral.

Tratamento de apraxia

       Tratamento da causa

       Fisioterapia e terapia ocupacional

O problema que causa a apraxia é tratado, se possível. Não existe tratamento específico para apraxia.

A terapia ocupacional ou física pode ajudar em alguns casos de apraxia, mostrando ao indivíduo como aprender a compensar as suas perdas. Mas o principal uso dessas terapias é tornar o ambiente mais seguro e proporcionar dispositivos que auxiliam as pessoas a executarem melhor suas tarefas.

Fonoaudiólogos podem ajudar as pessoas que apresentam apraxia verbal, pedindo a elas que pratiquem fazendo padrões sonoros repetitivos. Se a apraxia verbal for grave, as pessoas podem aprender a usar um quadro de letras ou imagens, ou um dispositivo eletrônico de comunicação com um teclado e tela para visualização de mensagens.

Dicas:

·       Induzir linguagem não verbal (tosse, suspiros, pigarreio);

·       Sussurrar melodias;

·       Associar gestos simbólicos desbloqueadores ao som/ palavra (ex.: associar o gesto de “adeus” à palavra);

·       Produzir o fonema /a/ com variantes e pressionando a laringe. (Se existe articulação)

·       Treinar vogais, ditongos, consoantes e sílabas simples.(Nota – existe um método específico de treino do fonema que inclui o apoio da palavra escrita e, numa fase final, a leitura em voz alta);

·       Completar frases automáticas (ex.: “bebo água pelo ____”);

·       Exercícios de discurso automático (contagem, dias da semana, meses do ano, expressões coloquiais como “bom dia”, poemas ou papéis de teatro, canções).

(Nota – Os exercícios devem ser realizados em frente ao espelho, tendo o terapeuta como modelo).

Caraterísticas

Erros previsíveis (pouco variados):

       Repertório limitado de sons e de expressões;

       Possibilidade do discurso automático também estar perturbado;

       Respostas erradas mas próximas das pretendidas se o estímulo for adequado;

       Maior dificuldade em palavras maiores, desconhecidas ou sem significado e naquelas que apresentam grupos consonânticos;

       Menor dificuldade na produção de vogais, ainda que mesmo a imitação de sons isolados seja incorreta;

       Os fonemas consonânticos /p/, /b/, /m/, /t/, /d/ e /l/ normalmente estão menos afetados que os restantes;

       Mais erros de complicação que de simplificação;


A escrita é geralmente melhor que a fala.

 

(Ritmo, prosódia e fluência)

       Ritmo lento;

       Vogais e consoantes prolongadas;

       Pausas no início do discurso, falsos inícios e várias tentativas para a mesma palavra/ som;

       Alterações da intensidade e altura tonal entre diferentes frases;

       Alterações de prosódia (pronúncia semelhante à de alguém estrangeiro).

Aconselhamento para pais e professores

         Tratar os sentimentos negativos e a reduzida auto-estima;

         Dar tempo de resposta;

         Simplificar as instruções;

         Não pedir repetição de tarefas que envolveram esforço e insucesso (aumentam a frustração);

         Adotar frases simples e uma intensidade vocal normal (não existem problemas de audição);

         Explicar aos colegas de turma a patologia, promover a interajuda e abolir a exclusão e discriminação;

         Em certos tipos de apraxia pode ensinar-se a realizar atividades de forma diferente da habitual, já que as dificuldades de programação são limitadas a movimentos previamente aprendidos (ex.: atar sapatos usando outro método);

Prognóstico de apraxia

Dependendo da causa, algumas pessoas com apraxia continuam a perder a função e se tornam dependentes, necessitando de ajuda nas atividades diárias e alguma supervisão. No entanto, se a apraxia resultar de um acidente vascular cerebral, as pessoas podem não continuar a perder a função e podem até mesmo melhorar um pouco, sobretudo se fizerem reabilitação intensiva, que inclui terapia ocupacional.

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